‘Vida longa ao rei’: Trump se compara à realeza nas redes sociais

Mensagem foi reforçada pela Casa Branca ao divulgá-la nas redes oficiais do governo acompanhada de uma ilustração do republicano usando uma coroa

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, é famoso por seu apreço por tudo que remete ao ouro e outros símbolos da realeza, seja em grandes desfiles militares ou bailes inaugurais extravagantes. No entanto, em uma postagem nas redes sociais na quarta-feira, o republicano foi além e se comparou a um rei ao celebrar a decisão de sua administração de cancelar o programa de pedágio para reduzir o congestionamento da cidade de Nova York.

“A taxa de congestionamento está morta. Manhattan e toda Nova York foram salvas. Vida longa ao rei!”, escreveu Trump em sua rede social, a Trump Social. A Casa Branca reforçou a mensagem ao divulgá-la novamente no Instagram e no X, acompanhada de uma ilustração do presidente americano usando uma coroa na capa de uma revista semelhante à Time, mas intitulada Trump.

A visão expansiva de Trump sobre seu próprio poder tem sido evidente em suas palavras e ações. Ele tem emitido decretos que extrapolam os limites do que é considerado legal. Demitiu funcionários, desconsiderou agências federais ao promover medidas que iam além de sua autoridade e congelou fundos que já haviam sido aprovados pelo Congresso. Na semana passada, também deixou claro que acreditava ter ampla liberdade para reestruturar o governo da forma que julgasse necessária.

“Aquele que salva seu país não viola nenhuma lei”, escreveu o presidente, aparentemente fazendo referência a uma versão de algo que é atribuído por vezes a Napoleão Bonaparte. A origem da frase, porém, é incerta.

Ao cancelar as taxas cobradas para conter o congestionamento, Trump sugeriu que estava salvando Nova York. Durante a eleição, ele prometeu interromper o programa, que cobrava a maioria dos motoristas em US$ 9 para entrar em Manhattan a partir da Rua 60, assim que assumisse o cargo. Em uma entrevista ao New York Post neste mês, ele caracterizou a taxa como “destrutiva” para a cidade.

— Se eu decidir fazer isso, poderei acabar com isso em Washington por meio do Departamento de Transportes — disse ele na ocasião.

Na quarta-feira, o secretário de Transportes, Sean Duffy, atendeu ao desejo do presidente. Em carta enviada à governadora Kathy Hochul, ele expôs as objeções de Trump ao programa e afirmou que autoridades federais entrariam em contato com o estado para “discutir a cessação ordenada das operações de pedágio”. Ele disse compartilhar das mesmas “preocupações do presidente” sobre o impacto para os trabalhadores americanos, que “enfrentariam um novo peso financeiro”.

O primeiro mês de Trump de volta à Casa Branca tem sido marcado por momentos em que ele invocou um poder quase monárquico. Em seu discurso de posse, ele disse que Deus o havia salvado quando um suposto assassino tentou tirar sua vida para “tornar a América grande novamente”, slogan usado por ele em sua campanha desde 2016.

Algumas de suas ações políticas têm se baseado em uma teoria jurídica mais ampla — conhecida como teoria do executivo unitário — que defende um poder presidencial expansivo. Parte dessa teoria interpreta algumas das ações de Trump como legais sob a justificativa de que não é ilegal desconsiderar um estatuto inconstitucional. Mas, mesmo que as leis em vigor sejam válidas, o presidente parece sugerir que tem o direito de desrespeitá-las se sua intenção for salvar o país.

Reações negativas

Uma avalanche de processos foi movida para contestar muitas de seus decretos, atrasando sua implementação em alguns casos. E Hochul, a governadora, rejeitou explicitamente a ideia de que Trump pudesse agir como um monarca ao se manifestar sobre o cancelamento da tarifa de congestionamento. Nas últimas semanas, ela conversou com ele várias vezes para tentar convencê-lo dos benefícios do programa.

— Somos uma nação de leis, não governada por um rei — declarou Hochul. — A Autoridade Metropolitana de Transporte de Nova York (MTA, em inglês) iniciou processos judiciais no Distrito Sul de Nova York para preservar este programa essencial. Nos vemos no tribunal.

Em declaração separada aos jornalistas ainda na quarta-feira, ela disse que Nova York não vive sob o domínio de um rei “há mais de 250 anos”, e que “com certeza” não começará agora. Hochul também afirmou que o transporte público é a “força vital” da cidade de Nova York, sendo essencial para o futuro econômico local – e que, como nova-iorquino, “o presidente Trump sabe disso muito bem”.

— Caso vocês não conheçam os nova-iorquinos, nós lutamos. Nós não recuamos. Nem agora, nem nunca.

O vereador nova-iorquino Justin Brannan também condenou a declaração de Trump e criticou o Departamento de Justiça, nomeado por Trump, que ordenou que os promotores retirassem o caso federal de corrupção contra o prefeito da cidade, Eric Adams. Críticos acusaram Adams de negociar o fim do processo em troca da ajuda dele à agenda de repressão de imigrantes sem documentação do republicano.

— Não importa o que você pensa sobre a tarifa de congestionamento, o governo federal não tem o direito de tomar essa decisão. O estado de Nova York aprovou uma lei, o Departamento de Transportes dos Estados Unidos a aprovou. Não importa qual acordo corrupto Donald Trump tenha feito com o prefeito, ele não é rei. Apenas tolos se submetem a um falso poder. Isso é uma ilusão — afirmou.

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