ESG na Construção Civil Brasileira

Por Mariana Borges

A indústria da construção civil no Brasil é um pilar fundamental da economia nacional, representando cerca de 7% do PIB. No entanto, é também um dos setores que mais contribuem para as emissões de carbono, respondendo por aproximadamente 9% das emissões globais de gases de efeito estufa. Diante desse cenário, a adoção de práticas ESG (Environmental, Social and Governance) torna-se não apenas uma tendência, mas uma necessidade urgente para o setor, abrangendo desde grandes empreendimentos até a construção de casas individuais.

O Desafio da Descarbonização

A construção civil enfrenta desafios significativos em sua jornada de descarbonização. O uso intensivo de materiais como cimento e aço, grandes emissores de CO2, além do consumo energético elevado durante as obras, são alguns dos principais obstáculos. Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o setor é responsável por 50% do consumo dos recursos naturais, 25% dos resíduos sólidos gerados e 25% das emissões de CO2.

Boas Práticas e Inovações Sustentáveis

Apesar dos desafios, o setor está adotando práticas inovadoras e sustentáveis. Vejamos alguns exemplos:

  1. Uso de Materiais Sustentáveis
    O desenvolvimento de cimentos “verdes” que reduzem em até 50% as emissões de CO2 em
    comparação com o cimento convencional é uma realidade no Brasil. Estes produtos estão sendo utilizados tanto em grandes obras quanto na construção de casas, demonstrando que é possível aliar performance e sustentabilidade em diferentes escalas.
  2. Eficiência Energética
    A adoção de placas fotovoltaicas em empreendimentos residenciais e comerciais tem se tornado cada vez mais comum. Essa prática reduz a dependência de energia da rede e diminui os custos para os moradores. Em construções residenciais, a instalação de sistemas de aquecimento solar e o uso de iluminação natural também contribuem
    significativamente para a eficiência energética.
  3. Gestão de Resíduos
    Sistemas avançados de gestão de resíduos permitem a reciclagem de até 80% dos
    materiais gerados nas obras. Esta prática reduz o impacto ambiental, gera economia e cria
    oportunidades de trabalho na cadeia de reciclagem. Para construções residenciais menores,
    a adoção de práticas de separação e destinação correta de resíduos também tem ganhado
    força.
  4. Construção Modular e Pré-fabricada
    A construção modular e pré-fabricada está ganhando espaço no Brasil, tanto para grandes
    empreendimentos quanto para casas individuais. Este método reduz significativamente o
    desperdício de materiais e o tempo de construção, além de permitir maior controle sobre a
    qualidade e eficiência energética das edificações.
  5. Certificações Sustentáveis
    Certificações como LEED, AQUA-HQE e o Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal estão
    sendo cada vez mais buscadas. Estas certificações garantem que as edificações, desde
    casas até grandes empreendimentos, atendam a rigorosos critérios de sustentabilidade,
    desde a concepção até a operação.
  6. Aproveitamento de Água
    Sistemas de captação e reuso de água da chuva, bem como o tratamento e
    reaproveitamento de águas cinzas, estão sendo implementados em diversos tipos de
    construções. Essas práticas reduzem significativamente o consumo de água potável e
    aliviam a pressão sobre os sistemas de abastecimento urbanos.
  7. Telhados Verdes e Jardins Verticais
    A incorporação de telhados verdes e jardins verticais em projetos residenciais e comerciais
    não só melhora o isolamento térmico e acústico das edificações, mas também contribui
    para a biodiversidade urbana e a redução das ilhas de calor nas cidades.

O Caminho para o Futuro

Para consultores e gestores empresariais que desejam implementar práticas ESG no setor da construção civil, é importante entender que a sustentabilidade não é apenas um custo adicional, mas um investimento com retornos tangíveis. Algumas recomendações incluem:

  1. Investir em Inovação: Buscar constantemente novas tecnologias e materiais que possam reduzir o impacto ambiental das construções, desde grandes obras até residências individuais.
  2. Capacitação da Equipe: Treinar colaboradores em práticas sustentáveis e na importância do ESG para o setor, incluindo profissionais que atuam em construções de menor porte.
  3. Parcerias Estratégicas: Colaborar com fornecedores, universidades e startups para desenvolver soluções inovadoras aplicáveis a diferentes escalas de construção.
  4. Mensuração de Impacto: Implementar sistemas de medição e relatórios de sustentabilidade para acompanhar o progresso e identificar áreas de melhoria, adaptando as métricas para diferentes tipos de projetos.
  5. Engajamento Comunitário: Envolver as comunidades locais nos projetos, promovendo o desenvolvimento socioeconômico e a aceitação das obras, seja em grandes empreendimentos ou em construções residenciais.

A indústria da construção civil brasileira tem um papel fundamental na transição para uma economia de baixo carbono. Ao adotar práticas ESG, desde grandes construtoras até pequenos empreiteiros, o setor reduz seu impacto ambiental, e se posiciona como líder em um mercado cada vez mais consciente e exigente.

O caminho para a sustentabilidade na construção civil é desafiador, mas as oportunidades de inovação, eficiência e criação de valor são imensuráveis. É hora de construirmos não apenas estruturas, mas um futuro verdadeiramente sustentável para as próximas gerações, em cada tijolo, em cada casa e em cada empreendimento.

Artigo escrito por Mariana Borges, consultora e mentora especializada em ESG. Mariana auxilia empresas de pequeno e médio porte a integrar práticas sustentáveis em suas operações, desde canteiros de obras até projetos residenciais. Seu trabalho transforma desafios ambientais em oportunidades de inovação e crescimento sustentável, promovendo uma construção mais responsável e eficiente.

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